segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A prudência, Sponville

A polidez é a origem das virtudes; a felicidade, seu princípio; a prudencia sua condição. será ela mesma uma virtude? pergunta, André Comte - Sponville. A tradição responde que sim, e é o que cumpre explicar em primeiro lugar este filosofo.
A prudencia é uma das quatro virtudes cardiais da Antiguidade e da Idade Média. É a mais esquecida, talvez. Para os modernos pertencentes menos à moral do que à psicologia., menos ao dever do que ao cálculo. Kant já não via nela uma virtude: é apenas amor a si esclarecido ou hábil, explica, não condenável, decerto, mas sem valor moral e sem outras prescrições que não sejam hipotéticas. É prudencia cuidar da saúde, mas quem veria nisso um mérito? A prudencia é vantajosa demais para ser moral; é dever, absoluto demais para ser prudente. No entanto não seguro que Kant seja aqui o mais moderno, nem o mais justo. Porque ele concluía que a veracidade é um dever absoluto, em todas as circunstâncias e qualquer que seja suas consequências: é melhor faltar com a prudencia do que faltar com o dever, nem que seja para salvar um inocente ou a si mesmo! É o que não podemos mais aceitar, parece-me por não acreditamos muito nesse absoluto para sacrificar a ele nossa vida, nossos amigos ou nossos semelhantes. Essa ética da convicção como dirá Max Weber, até nos apavoraria: 
  

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